Três técnicos de enfermagem foram presos pela Polícia Civil do Distrito Federal acusados de envolvimento na morte de três pacientes no Hospital Anchieta, em Taguatinga, entre os meses de novembro e dezembro do ano passado. Os casos vieram a público nesta segunda-feira (19/01) e são tratados como homicídios, causando forte comoção e levantando questionamentos profundos sobre a segurança dentro das unidades de saúde.
As investigações fazem parte da Operação Anúbis — referência ao deus egípcio da morte — conduzida pela Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa. Segundo apuração divulgada pelo site Metrópoles, os suspeitos teriam provocado as mortes por meio da aplicação indevida de um composto químico diretamente na veia dos pacientes. Administrada de forma incorreta, a substância pode causar parada cardíaca quase imediata.
Em nota oficial, o Hospital Anchieta informou que foi a própria instituição que denunciou o caso às autoridades, colaborando com as investigações desde o início. Ainda assim, o episódio lança uma sombra inquietante sobre a relação de confiança que existe entre pacientes e profissionais da saúde.
Diante de um cenário como esse, surgem perguntas inevitáveis e perturbadoras: o que leva profissionais da enfermagem — formados para cuidar, aliviar a dor e preservar a vida — a praticarem atos tão extremos? Em que momento a vocação se perde e dá lugar à crueldade?
Outro questionamento ainda mais sensível ecoa na sociedade: estamos realmente seguros quando somos submetidos aos cuidados de enfermeiros que não conhecemos ou de médicos que nunca vimos na vida? Para quem está fragilizado em um leito hospitalar, a confiança no profissional é quase absoluta — e justamente por isso, episódios como esse causam indignação, medo e descrédito.
O caso segue sob investigação e os suspeitos permanecem à disposição da Justiça. Enquanto isso, a Operação Anúbis expõe não apenas um possível crime brutal, mas também a urgente necessidade de reflexão, fiscalização rigorosa e fortalecimento dos mecanismos de controle dentro do sistema de saúde, para que cuidar da vida nunca se transforme em ameaça.
